segunda-feira, 24 de maio de 2010

John Lennon - Come Together

CHEGA COM JEITO - Os Camponeses da Guerrilha do Araguaia

É outubro em Pequim: o primeiro aniversário da Revolução Chinesa

Mencius, discípulo de Confúcio e que nasceu no ano 390 antes da nossa era, escreveu: "Em primeiro lugar, está o povo; em seguida, o país. O rei é o de menos...". Pois ali estávamos nós — 72 delegações de convidados vindos de todas as partes do mundo — para vermos passar, no 1º de outubro de 1960, o grande desfile comemorativo do 11º aniversário da República Popular da Nova China.

Por Lygia Fagundes Telles, na Folha de S.Paulo

A manhã é azul. Bandeiras vermelhas com as cinco estrelas estão desfraldadas ao vento.
Estandartes também vermelhos, com os caracteres chineses, em dourado desdobram-se nos pontos mais altos da vasta praça do Povo, defronte da famosa Porta da Paz Celestial e onde estão os balcões dos convidados.

Entre o Museu Nacional e a Assembleia, defronte de nós, gigantescos retratos de Karl Marx, Friedrich Engels, Lênin e Mao Tse-tung.

É belo de se ver a variedade incrível dos trajes dos representantes de cada país; os altos africanos, com ares assim de reis negros, ostentam túnicas e adornos singulares, contrastando na sua simplicidade com os trajes asiáticos e que em geral são suntuosos, cheios de pedrarias e dourados e tudo isso de mistura com os trajes chineses — as discretas fardas de brim azul-, que por sua vez contrastam com as nossas roupas europeias. Ouvem-se em redor as mais variadas línguas. O quadro é de um colorido vivo e raro.

Uma chinesinha debruça-se num balcão ao meu lado. Observo-a. E concluo, nesse instante, que sem dúvida alguma os chineses são bonitos, assim altos e esguios. Têm a gesticulação elegante. Pernas longas. E grandes olhos seguindo aquela linha oblíqua.

Volto minha máquina fotográfica na direção da jovem. Ela inclina a cabeça para o lado, segura delicadamente a ponta da trancinha negra e sorri um tímido sorriso fresco e claro como a manhã outonal. Diz-me, em seguida, um "merci".

Aproximo-me animada: a ponte da língua estabeleceu-se entre nós. Ocorre-me fazer-lhe perguntas simples, bem femininas. Ainda não vi nenhuma chinesa pintada, digo-lhe. Nem as jovens nem as mulheres maduras usam batom ou mesmo pó de arroz. Eis que a mulher na China abriu mão das mais elementares vaidades. Nem brincos, nem anéis, nem unhas esmaltadas...

Ela ficou séria. "O nosso povo acaba de sair de uma fase terrível e que durou dezenas e dezenas de anos", respondeu-me ela. "Não podemos nos preocupar com ninharias quando ainda há coisas tão importantes a serem cuidadas. Principalmente nós, as mulheres, nunca tivemos sequer o essencial. Então não podemos agora nos dar ao luxo de pensar no acessório, no supérfluo. Temos que trabalhar. O resto fica para depois."

Não pude deixar de sorrir. Ah! Como a jovem era parecida com o Mister Wang, nosso intérprete, de topetinho no cocuruto e fronte pensativa, a expressão tão carregada de responsabilidades! Como eram graves e compenetrados os jovens da China! Lembrei-me de uma peruana ou colombiana, que após algumas semanas de permanência em Pequim, teria se queixado certa noite ao nosso teatrólogo Guilherme Figueiredo: "Sí, sí, todo es muy bueno... ¡Pero, caramba! ¡Es preciso un poco de corrupción!...".

Desatei a rir enquanto a chinesinha, sem saber por que, riu também. Tive então vontade de dizer-lhe que aprimorar a beleza do rosto era também uma causa importante. Mas pensei: para quê? Afinal, ela era tão bonita assim mesmo com a carinha lavada, singela! Pensei nas nossas brasileirinhas adolescentes e já com os olhos bistrados.

Eis aí uma jovem, edição chinesa da nossa "Inocência", de Taunay. Ela quis saber quem era "Inocência" e expliquei-lhe então que era a heroína de um romance e que nunca houve na nossa literatura uma personagem mais doce, mais delicada, mais pura.

Sons festivos de uma marcha romperam dos alto-falantes. Palmas, vivas da multidão acenando bandeirinhas: o presidente Mao Tse-tung acabara de aparecer no palanque oficial.

Começou o desfile, um desfile sem militares, sem soldados ou armas, mas apenas com colegiais e jovens, dezenas e dezenas de jovens levando bandeiras, arcos floridos, lanternas, balões, estandartes. Enfim, um mar de flores e sedas vindo em ondas a transbordar na praça.

Jamais meus olhos viram desfile igual, verdadeira demonstração do mais alto senso estético de um povo que há cinco mil anos cultiva a beleza.

fonte: www.vermelho.org.br

domingo, 23 de maio de 2010

Aconteceu em
24 de maio
1870- Dia das mães cativas

D. Pedro II alforria 70 filhos de escravas da fazenda imperial. As mães permanecem cativas.

Óleo de Antonio Ferrigno

1543:
Morre o astrônomo polonês Nicolau Copérnico, 60 anos. No mesmo dia sai seu livro As Revoluções em torno da órbita celeste, proibido pela Inquisição.
1822:
Batalha de Pichincha liberta o Equador do julgo espanhol.
1844:
Samuel Morse instala nos Estados Unidos a primeira linha de telégrafo, Baltimore-Washington.
1883:
Os abolicionistas libertam os últimos escravos de Fortaleza.
Abolicionistas
cearenses
1884:
Manaus deixa de ter escravos.
1989:
O Congresso aprova reajuste mensal de salários até 3 mínimos.
1995:
FHC manda o Exército ocupar as refinarias de Paulínia, Capuava, Henrique Lage (SP) e Getúlio Vargas (PR) para debelar greve dos petroleiros.

Caetano Veloso - Você é linda

ESSA VAI PARA O MEU AMOR....A MULHER MAIS LINDA DO UNIVERSO - ROBERTA A MINHA MARIPOSA

Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias perde dirigente histórico

Faleceu na última quarta-feira (19/5), ao 86 anos, Joaquim Boeira de Lemos. Militante desde os anos de 1930, Lemos dedicou sua vida a luta pelos direitos dos trabalhadores. Participou de grandes manifestações e sempre esteve presente nas atividades sindicais.

Márcio Schenatto

Joaquim Boeira de Lemos era militante desde a década de 30

Joaquim Boeira de Lemos, nasceu em 22 de agosto de 1923, no município de Bom Jesus. Chegou em Caxias do Sul na década de 1940, com 18 anos para servir o exército. Trabalhou na Industrial Madereira durante dois anos. Em seguida, entrou na empresa Eberle onde trabalhou por 35 anos, na função de “Lustrador Profissional” - lustrava estojos de madeira para talheres.

Em 1949 entrou para o sindicato, ajudando a construir a primeira sede. Entrou no sindicato como suplente de diretoria em 1955, na gestão de Bruno Segalla. Tinha orgulho de ter ajudado a organizar uma das maiores greves que Caxias já viu, a de 1963. Teve seus direitos sindicais cassados em 1964, junto com os demais integrantes da diretoria. Só conquistou o direito de voltar ao sindicato em 1979.

Trabalhador da Eberle, em 1965 foi denunciado e acusado pelos patrões de ser comunista, fato que resultou na sua prisão. Por cerca de um ano, a polícia do exército ia buscá-lo no trabalho para passar o dia no quartel. Joaquim também presenciou as visitas de Luis Carlos Prestes a Caxias. A primeira lotou a praça Rui Barbosa (hoje praça Dante Alighieri). Já a segunda vinda de Prestes foi conturbada: o encontro aconteceu no Cine Central, e o prédio foi apedrejado pelos padres e pelos alunos das escolas católicas.

Joaquim foi o 1º secretário na gestão de Romeu Pieruccini em 1982. Ficou um tempo afastado da direção e voltou em 1993. Atualmente, era responsável pelo Departamento de Aposentados do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul (RS), função exercida até final do ano 2009, quando afastou-se do sindicato por definitivo, por causa de um câncer.
Aconteceu em
23 de maio
Detalhe do público no estádio
1945- Dia do comício do Vasco
Com Prestes liberto pela Anistia, os comunistas reúnem 100 mil no Vasco da Gama, Rio, na época o maior estádio do país. A democratização pós-Estado Novo assume uma face de esquerda.

    “Dilma é favorita; páreo é difícil para Serra”, diz Renato Rabelo

    O segundo ponto abordado pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, durante sua intervenção na terceira reunião do Comitê Central do PCdoB neste sábado, 22, foi o cenário da disputa nacional. “Pouco a pouco vai ficando mais claro que Dilma (Rousseff) é a favorita e que o páreo não será fácil para (José) Serra”, constatou.
    Priscila Lobregatte
    Renato Rabelo _CC_22052010

    Renato: Dilma é a real candidata de Lula e é a mais preparada

    Após leitura do anúncio da nova pesquisa Datafolha – que dá 37% para ambos os presidenciáveis, com crescimento de 7% para a petista e queda de 5% para o tucano – Renato Rabelo alertou: “é plenamente possível que haja manipulação científica da pesquisa nesse período pré-eleitoral. Afinal, o instituto chegou a dar 10% de diferença entre os dois candidatos em sua última pesquisa, com vantagem para Serra. Em apenas um mês de diferença, houve toda essa mudança”.

    Para o dirigente, a tendência pró-Dilma é natural. “Conforme a ficha for caindo para o eleitorado e ele for conhecendo melhor quem ela é e o que representa, ela crescerá ainda mais. Serra, por sua vez, alcançou o seu teto”.

    Rabelo ainda tratou da tentativa desesperada dos tucanos de se fazerem passar por verdadeiros continuadores da obra iniciada por Lula. “Serra segue acenando para a esquerda e procura se distanciar da herança de FHC, colocando-se como mais competente para seguir o projeto. Mas a questão é que Dilma tem dois trunfos: é a real candidata de Lula e é a mais preparada”.

    Além disso, “a presidenciável tem uma base de apoio ampla”, que conta com 11 partidos, dentre eles o PMDB, e cujo núcleo de esquerda é formado por PT, PCdoB, PSB e PDT, “uma frente política de grande expressão e que faz parte dos êxitos alcançados pelo governo, constituindo-se numa força centrípeta”. Soma-se a isso a ampla base social e popular adquirida nos últimos oito anos. Serra, por sua vez, “conta apenas com PSDB, DEM, PPS e PSC”, comparou.

    Dirigentes acompanham reunião do CC
    No que diz respeito às resistências que ainda cercam Dilma, o dirigente colocou que “o centro dessa atitude está nas camadas médias e médias-altas do Sul e Sudeste devido a seu preconceito contra Lula e contra a política em geral”. Mas, reafirmou que “é preponderante a tendência à continuidade do ciclo aberto por Lula e as forças que o apoiam”.

    Na avaliação de Rabelo, o atual momento político caracteriza-se pelo fechamento de alianças estaduais e em alguns casos, Dilma aparece com múltiplos palanques – devido ao prestígio de Lula –, o que pode “levar à dispersão e lutas internas na própria frente. O ideal é aproveitarmos essa fase para construir a unidade”.

    Argumentos a favor da unidade em torno da pré-candidata não faltam. “Apesar das tentativas da mídia em desqualificar o PAC e transformá-lo em ficção, a verdade é que ele já tem apresentado resultados concretos pelo país, especialmente no Norte e Nordeste, regiões mais carentes em infraestrutura. Basta viajar pelo Brasil para constatar”.

    Ele também chamou atenção para a maior mobilidade social: “hoje, a classe C já é 50% da população, com uma renda média familiar de R$ 1.200,00, valor que, apesar de ainda ser pequeno, já representa uma mudança positiva. Isso aconteceu devido aos mecanismos iniciais de distribuição de renda, tais como o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo e a ampliação do acesso ao crédito”.

    Por tudo isso, Renato Rabelo anunciou a necessidade de tirar desta reunião do Comitê Central um conjunto de propostas programáticas do PCdoB – feito a partir do Programa Socialista – como contribuição dos comunistas ao programa de governo. “O resultado final serão formulações advindas de um debate amplo que envolveu também outras forças políticas”, afirmou.

    De São Paulo,
    Priscila Lobregatte

    terça-feira, 18 de maio de 2010

    Gavião: desafio da UJS é "transformar otimismo em mobilização"

    O 15º Congresso da União da Juventude Socialista (UJS) será em Salvador, nos dias 17 a 20 de junho. Em entrevista ao Vermelho, o presidente da entidade, Marcelo Gavião, afirmou que o principal desafio da entidade é “transformar otimismo em mobilização social”, em referência a um crescimento da auto-estima do povo brasileiro observado pela UJS. E, para atingir a juventude, a organização aposta suas fichas na internet, com a criação da sua própria rede social e campanhas no twitter.

    Arquivo UJS

    O presidente da UJS, Marcelo Gavião e a arte do 15º Congresso da UJS

    Na programação, além dos tradicionais debates e grupos de trabalhos, estão previstas atividades culturais, estruturas de telecentros, torneios esportivos e outros atrativos que visam deixar o congresso da UJS com a cara da juventude brasileira.

    Entre as atividades de mobilização, a UJS lançou campanha para ter ao menos 5 mil seguidores do usuário oficial da entidade no twitter até o congresso, o @UJSBrasil. A campanha, simples, tem corrido pelo microblog, para participar basta postar a seguinte mensagem padrão: "#FF Galera, vamos seguir o twitter da @UJSBrasil. #SigaUJS".

    Acompanhe a íntegra da entrevista com o presidente da UJS, Marcelo Gavião:

    Vermelho: O que a UJS quer traduzir com a chamada do congresso, "Pra ser Mais Brasil"? Qual o centro político deste próximo congresso?
    Marcelo Gavião: Transformar otimismo em mobilização social. Esse é o lema do 15 congresso da UJS. Com a vitória das forças progressistas e avançadas em 2002 e sua confirmação em 2006, o Brasil se desafiou a entrar numa nova fase, uma fase de desenvolvimento, de redução das desigualdades sociais, e tudo isso veio acompanhado de vitórias como as conquistas da Copa do Mundo em 2014, das Olimpíadas de 2016, da descoberta do pré-sal e tantos outros motivos pra serem festejados. São oportunidades que a nossa geração tem a obrigação de aproveitar da melhor forma, o que significa transformar toda essa felicidade em energia para sonhar cada vez mais alto, e assim fazer um Brasil cada vez mais verde e amarelo, cada vez mais orgulhoso de si mesmo.

    O presidente da UJS com a pré-candidata Dilma Rousseff
    Vermelho: Como a UJS pretende se apresentar no processo de eleições 2010 e que papel o congresso da UJS joga neste sentido?
    Marcelo Gavião: Uma das marcas da nossa organização ao longo de seus 25 anos sempre foi a de encarar as disputas eleitorais como um momento importante pra erguer bem alto as bandeiras e reivindicações da juventude. Estivemos presentes e com grande destaque em todas as campanhas do presidente Lula (89, 94, 98, 2002 e 2006). Agora em 2010, nossa missão é mobilizar a juventude pra barrar a volta da direita neoliberal/conservadora. Nossa missão é continuar trilhando o caminho das transformações e assim melhorar a cada dia a vida dos mais de 50 milhões de jovens brasileiros.

    Vermelho: Qual(is) a(s) principal(s) novidade(s) do 15º congresso da UJS?
    Marcelo Gavião: A UJS cresceu muito nos últimos anos, somos hoje cerca de 100.000 (cem mil) jovens espalhados por todos os estados. Para esse congresso estamos nos desafiando a estruturar melhor nossa organização e pra isso nossa campanha tem buscado usar melhor espaços como a internet. Nossa mobilização esta centrada em uma ferramenta chamada “Rede UJS”, uma combinação de orkut, facebook e twitter que possibilitará as direções Nacional, Estadual e Municipal acompanhar a vida dos filiados e ampliará em algumas vezes nossa capacidade de comunicação mobilizando mais rápido nosso exército para as mais variadas lutas.

    Antenados ainda com os anseios e o próprio comportamento da juventude, ligados na importância que as novas tecnologias têm ao debate da democratização da comunicação, temos ainda como uma importante bandeira da UJS a defesa da universalização da Banda Larga, para que todos estes recursos e acesso a informações não se restrinjam a uma parcela da juventude, mas que possa ser desfrutada e apropriada pela ampla maioria dos jovens brasileiros, pois essa turma tem um grande potencial para desenvolver formas criativas de se comunicar, debater, mobilizar, etc.

    Vermelho: A tendência é haver muita renovação na diretoria da organização?
    Marcelo Gavião: Todo congresso tem algum nível de renovação na direção e nesse não será diferente. Nos próximos dias teremos uma reunião da Direção Nacional que debaterá uma proposta de próximo time e aprovará nomes que serão levados ao congresso. Tenho certeza que com grande unidade elegeremos um time que saberá guiar essa entidade nas lutas futuras.
    Uma das principais bandeiras que a entidade defende, junto às entidades estudantis, é a destinação de 50% das verbas do Fundo do Pré-Sal para a educação
    Uma das coisas boas da UJS é que a militância dela é sempre vista como uma fase da vida, uma fase importante por ser um período de formação muito intensa, mas apenas uma fase. Chega uma hora em que devemos nos envolver com outros projetos, outros desafios. Quem faz a opção de se filiar e militar na UJS a faz por acreditar nas idéias do socialismo e essa é uma opção pra toda vida. Temos orgulho de ser uma escola que forma bons combatentes pra essa luta.

    Vermelho: O que fica como conquistas importantes do último período e que se apresentam como os principais desafios da UJS para os próximos anos (e gerações)?
    Marcelo Gavião: São várias as conquistas, acho que a principal foi a determinação e a maturidade que a UJS demonstrou em um momento decisivo da luta política no Brasil que foi em 2005. Naquele momento fomos guerreiros, corajosos e nossa ousadia foi premiada com a construção de uma grande vitória. Sem a passeata que realizamos no dia 16 de agosto daquele ano, em Brasília, onde nos colocamos contra o golpe que a direita vinha arquitetando, de defender o impeachment do presidente Lula, o Brasil poderia ter tomado um outro rumo e o lema do nosso congresso poderia ser outro.

    Vermelho: Quais os principais em termos de PPJ no último período? Qual o histórico da UJS em relação ao tema?
    Marcelo Gavião: Podemos classificar como avanço o próprio trato das Políticas Públicas de Juventude como algo importante. O governo Lula inaugurou esse trato qualificado à questão, tendo tomado iniciativas que elevaram a capacidade de entender os anseios da juventude. Exemplos disso são o Conselho Nacional de Juventude, a realização da 1ª Conferência Nacional de Juventude em 2008 e até mesmo o intenso debate que vem sendo desenvolvido pela aprovação do Plano Nacional da Juventude e da PEC da Juventude. Essas iniciativas do governo federal têm fomentado a formação de conselhos e planos de juventude estaduais e municipais por todo o país. Isso é o que deve ser mais valorizado, o impacto que essas iniciativas têm no próprio trato que as PPJ passam a ter pelos diversos setores da sociedade.
    O fato de ter atuação tão intensa no seio da juventude, dá capacidade e autoridade à UJS para tratar do assunto de PPJ. Parte grande das propostas que são pauta em espaço como conselhos e conferências são debatidas por nós há muito tempo. Estes espaços são mecanismos que servem para dar vazão a debates que temos há muito tempo. Nosso papel é investir na elaboração e apresentação de propostas concretas para garantir emprego, acesso a educação, bem estar, combater a violência, etc.

    Vermelho: Qual o principal desafio em termos de políticas públicas para a juventude hoje?
    Marcelo Gavião: O principal desafio imediato é a aprovação da PEC e do Plano Nacional da Juventude. Sem estes instrumentos, todas as iniciativas citadas, e outras mais, permanecem como políticas de governo, e não políticas de Estado. É importante aprovar uma legislação que reconheça a juventude como sujeito de direitos, que reconheça e estimule o potencial da juventude. A PEC tem este objetivo, por isso ela é o principal desafio atual, junto à aprovação do Plano Nacional de Juventude, que traz as diretrizes para a elaboração e implementação de políticas públicas de juventude no Brasil.

    De São Paulo, Luana Bonone
    www.vermelho.org.br

    segunda-feira, 17 de maio de 2010


    Beto Albuquerque retira candidatura para o governo estadual

    "Não vamos insistir em uma candidatura que não foi capaz de reunir um conjunto maior de forças políticas"

    O deputado federal Beto Albuquerque (PSB) retirou sua candidatura ao governo do Estado nesta segunda-feira à tarde, após uma reunião com líderes do partido.

    Segundo o Blog da Rosane de Oliveira, editora de política de Zero Hora, Beto e a deputada Manuela D'Ávila tomaram a decisão depois de avaliar que com o PP apoiando Crusius e o PTB sustentando a candidatura de Luis Augusto Lara, não haveria espaço para o projeto de Beto.

    — Não queremos por água no moinho de ninguém. Não vamos insistir (na candidatura) como se fosse uma vaidade pessoal, em uma candidatura que, neste momento histórico, não foi capaz de reunir a seu redor um conjunto maior de forças políticas, que nós respeitamos, e tomaram outros rumos no processo eleitoral — disse Beto Albuquerque.

    — Véspera de convenções não é hora de dúvida, de instabilidade política, de renegociações, de reabertura de debates. É a hora de estar pronto para o debate — completou.

    Na semana passada, era dada como certa a saída de Lara do cenário, mas os movimentos do deputado no último fim de semana levaram socialistas e comunistas a repensar seus planos.

    ZEROHORA.COM E RÁDIO GAÚCHA

    Empresário é anunciado como vice de Marina na corrida presidencial

    Presidente da Natura foi apresentado em pré-convenção do Partido Verde no RJ

    A pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, senadora Marina Silva (PV-AC) anunciou na tarde deste domingo que o empresário Guilherme Leal, presidente da Natura, será o candidato à vice-presidente em sua chapa. O anúncio foi feito na pré-convenção que o Partido Verde fez em uma casa de shows, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Cerca de 600 pessoas participaram da solenidade de pré-lançamento da candidatura do PV.

    O nome do executivo era mencionado como provável companheiro de chapa de Marina desde que a senadora anunciou a intenção a disputar

    a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em agosto do ano passado.

    Marina apresentou Leal como o vice que todo o candidato a presidente gostaria de ter.

    — Ele está totalmente integrado e é cúmplice neste projeto que a gente quer para o Brasil no século 21 — disse Marina ao apresentar o empresário .

    A solenidade contou com a participação do compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil, que tocou a música "Andar com fé" para homenagear a senadora. Ainda integraram a mesa os pré-candidatos do PV aos governos do Rio, Fernando Gabeira; de São Paulo, Fábio Feldman, e de Pernambuco, Sérgio Xavier.

    Em seu discurso, Guilherme Leal destacou que acompanha a t

    rajetória de Marina desde a década de 90 e que se comprometeu com o projeto da senadora em disputar a Presidência desde que se filiou ao PV, em setembro.


    — Escolhi Marina presidente antes de ela me escolher para vice. Ela é a líder que tem a visão de futuro, de estadista, que pode nos levar a um Brasil diferente, mais próspero, que incorpora o ambiente como uma possibilidade, e não como uma coisa que impede nosso desenvolvimento— afirmou Leal.

    —Esse não é um projeto de poder. É um projeto de serviço, que se co

    loca à disposição da sociedade brasileira.

    Agência Estado

    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    13 de Maio: A luta por igualdade permanece 122 anos depois

    Em 1988, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo oficialmente a escravidão no Brasil. A realidade, no entanto se mostrou bem diferente e hoje, 122 anos

    depois, os negros ainda lu

    tam por igualdade.

    Contam os livros de história, que em 13 de maio de 1888 a princesa Isabel determinou o fim da escravidão no país. É pena que a maioria dos livros não registrem também como os negros e negras lutaram para conquistar esta liberdade, que não falem das revoltas escravas que eclodiam em todo o país apesar da repressão violenta dos senhores de escravos. Não citam a Revolta dos Malês, a resistência do Quilombo dos Palmares e a cor agem de milhares de escravos que tocavam fogo nas plantações e fugiam para os quilombos em todo o Brasil.

    É exatamente por entender que a história da instituição da Lei Áurea não foi bem contada, que desde a década de 1970, o movimento negro vem construindo o dia 20 de novembro como uma data de afirmação
    para o povo negro. “O 20 de novembro simboliza a luta efetiva do negro como protagonista da história e não como objeto como querem fazer do 13 de maio. O 13 de maio foi celebrado pela história oficial como se fosse uma concessão da princesa, destituído de luta real. Além do mais, o 13 de maio é analisado pelo movimento negro como uma vitória de uma etapa da luta, mas não é a consagração da liberdade, porque não há liberdade sem emancipação econômica plena, sem inserção social e política, sem acesso aos bens culturais e econômicos, sem usufruir do fruto do trabalho que é a riqueza gerada pela nação”, é o que ressalta a vereadora Olívia Santana (PCdoB), militante histórica do movimento negro baiano.

    O movimento negro não nega a importância do 13 de maio, o que se defende é o reconhecimento do protagonismo dos negros escravos e libertos na série de eventos que resultou na assinatura da Lei Áurea. Segundo o historiador Augusto Buonicore, "o 13 de maio foi o resultado de uma vitoriosa aliança do movimento abolicionista urbano e a luta insurrecional dos escravos rurais. A junção dessas duas grandes correntes, que pelejavam pela libertação, ampliou e radicalizou o movimento pelo fim imediato da escravidão e precipitou os aco ntecimentos, que estavam sendo retardados pela intransigência dos setores escravistas e pela vacilação dos emancipacionistas (abolicionistas reformistas). A força desse movimento abalou o próprio aparelho de Estado monárquico-escravista. Vários oficiais do exército passaram recusar a perseguir escravos fugitivos e juízes começaram a dar sentenças favoráveis aos abolicionistas", escreve no artigo "13 de Maio: um dia para se comemorar?".

    Buonicore ressalta também a importância no movimento da jovem classe operária brasileira, como ferroviários e cocheiros. “Os abolicionistas libertavam escravos e apoiavam as fugas individuais e coletivas,
    montando toda uma infra-estrutura para garantir a chegada dos libertos a lugares seguros”, enfatiza.

    Para Olívia, na verdade a história disseminou a idéia de que o 13 de maio nos igualou, o que não é verdade. “O 13 de maio determinou o fim da escravidão formal, mas ainda hoje temos práticas análogas á escravidão, que atingem principalmente os pobres de maioria negra. Para garantir a igualdade de verdade ainda é preciso muita coisa, principalmente a superação do racismo. Acabou a escravidão, mas não o racismo, que ainda é um grilhão invisível, que tem acorrentado uma parcela significativa da
    população brasileira: os negros. Nós não temos mais as bolas de ferro, mas temos sim a corrente simbólica do racismo nos prendendo e operando nas relações sociais”, afirma.


    Igualdade de oportunidades

    A comunista acredita que o primeiro passo para a sonhada igualdade é acabar com o racismo no mercado de trabalho. “É prec
    iso superar o racismo no mercado de trabalho, garantir igualdade salarial entre negros e brancos, permitir que os negros tenham acesso a empregos de qualidade, à mobilidade e ascensão no mercado de trabalho. Precisamos garantir a presença de negros nos espaços acadêmicos e de produção de ciência. Precisamos garantir negros nos espaços de decisão, elegendo negros deputados, senadores, governadores. No dia em que este país tiver bancadas de deputados federais e senadores e governadores negros, ai sim agente vai ter de fato um sintoma de que o racismo está sendo superado. Mas, ainda não temos isto”, lamentou.

    Olívia defende também a adoção de políticas afirmativas para superação da desigualdade. “Nós temos 122 anos de políticas universais, que são necessárias, mas não são suficientes. Temos que enfrentar o racismo de maneira específica. Precisamos de políticas que consigam impedir que uma parte da população não tenha oportunidades iguais. Precisamos de políticas afirmativas na educação, no mercado de trabalho e no serviço público. Isto não é concessão, é um direito dos negros brasileiros, que historicamente tiveram seus direitos negados”.

    Militante convicta da luta por igualdade, a vereadora aponta também avanços importantes nestes 122 anos de abolição formal da escravidão. “Uma coisa que considero muito importante é a conscientização de uma parcela da sociedade, que está além do movimento negro, de que há racismo no Brasil. Ainda é uma parcela pequena, mas já é um grande avanço. Temos que comemorar também o fortalecimento das políticas afirmativas no Brasil. Hoje temos 90 universidades com políticas de cotas, com recorte racial. Conseguimos celebrar o 20 de novembro no país inteiro. Conseguimos colocar Zumbi dos Palmares no livro dos heróis brasileiros e consagrar João Cândido, o almirante negro, como referência nacional. Nós conseguimos também aprovar a lei que promove o ensino da história africana e afro-brasileira nas escolas públicas de todo o Brasil. Estas são grandes vitórias. Nós temos uma longa estrada pela frente, mas também temos muito que comemorar”, concluiu.

    De Salvador,
    Eliane Costa